DIREITO EMPRESARIAL
Empresas atrasadas na NR 1 correm riscos trabalhistas e jurídicos
As empresas atrasadas correm contra o tempo para evitar riscos trabalhistas e passivos jurídicos.
Em 04/05/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia
Foto: Arquivo pessoal/Dra. Jéssica Palin Martins/Divulgação
Atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) inclui riscos psicossociais e exige estruturação de processos contínuos de identificação, controle e monitoramento nas organizações.
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), oficializada pela Portaria nº 1.419/2024 do Ministério do Trabalho, passou a exigir que empresas incluam riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. A mudança ocorre em paralelo à sanção da Lei 14.831/2024, que cria o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental, elevando o tema ao nível estratégico nas organizações.
Na prática, companhias precisam estruturar processos contínuos de identificação, controle e monitoramento de riscos para reduzir riscos trabalhistas e passivos jurídicos, além de garantir conformidade regulatória.
Segundo a advogada, psicóloga e especialista em saúde mental corporativa, Jéssica Palin Martins, o prazo curto tem ampliado a busca por soluções aplicáveis dentro das empresas.
“Cumprir a NR-1 exige método. Diagnóstico, plano de ação e monitoramento contínuo são etapas obrigatórias, não opcionais.”
A exigência não se limita ao cumprimento legal. Empresas que estruturam a gestão emocional tendem a reduzir turnover, afastamentos e conflitos internos, além de fortalecer a marca empregadora. Dados da Deloitte indicam que 76% dos profissionais da Geração Z priorizam saúde mental ao escolher onde trabalhar, o que amplia o impacto direto dessas ações na atração e retenção de talentos.
Para Jéssica, o primeiro erro das empresas é tratar a norma como um checklist pontual.
“Não basta aplicar um questionário ou criar uma ação isolada. A norma exige um processo estruturado, com evidência documental e acompanhamento contínuo.”
Na avaliação da advogada, a adaptação começa pelo entendimento técnico da exigência e pela organização interna. Isso inclui mapear riscos, envolver lideranças e garantir que as ações tenham continuidade e mensuração.
“A empresa precisa sair do discurso e entrar na prática. Sem dados, sem plano e sem registro, não há conformidade.”
Esse movimento também tem ampliado a busca por soluções especializadas. Plataformas de gestão emocional, consultorias e metodologias estruturadas passam a ser demandadas por empresas que precisam acelerar a adequação sem comprometer a operação.
A especialista adverte que, antes de contratar esse tipo de serviço, a recomendação é avaliar critérios técnicos e metodológicos.
“A empresa deve buscar soluções que entreguem diagnóstico validado, plano de ação personalizado e suporte contínuo. Sem isso, o risco é investir em algo que não sustenta uma auditoria ou fiscalização.”
A especialista aponta cinco ações práticas para cumprir a NR-1 a tempo
A adaptação à norma pode ser organizada em etapas estruturadas. A seguir, os principais pontos recomendados por especialistas para acelerar o processo com segurança:
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Realizar diagnóstico de riscos psicossociais
O primeiro passo é mapear fatores como estresse, sobrecarga, conflitos e clima organizacional. O diagnóstico deve ser feito com instrumentos validados e gerar dados confiáveis para tomada de decisão.
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Elaborar plano de ação estruturado
Com base no diagnóstico, a empresa precisa definir ações práticas, com responsáveis, prazos e indicadores. O plano deve contemplar prevenção, intervenção e acompanhamento.
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Capacitar lideranças
Gestores são peças-chave na execução da norma. Treinamentos em comunicação, escuta ativa e gestão emocional ajudam a reduzir riscos e melhorar o ambiente de trabalho.
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Documentar todas as etapas
A NR-1 exige evidências. Relatórios, registros de ações, indicadores e devolutivas precisam estar organizados para eventuais auditorias e fiscalizações.
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Implantar monitoramento contínuo
O processo não termina com o plano. É necessário acompanhar resultados, revisar estratégias e atualizar ações conforme a evolução do ambiente interno.
Para Jéssica Palin, empresas que estruturam esse processo com antecedência tendem a transformar uma obrigação legal em vantagem competitiva.
“Quando bem conduzida, a adequação à NR-1 melhora o clima organizacional, reduz riscos jurídicos e fortalece a reputação da empresa. O impacto vai muito além da conformidade.”
A advogada conclui ressaltando que o maior risco está na inércia. Se tratar o tema de forma superficial pode custar caro. .
“Esperar a fiscalização ou tratar o tema de forma superficial pode custar caro. O cumprimento exige consistência técnica e continuidade.” (Por Carolina Lara/AsImp)
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