POLÍTICA INTERNACIONAL
Lula celebra a entrada em vigor do Acordo Mercosul-UE
Na Alemanha, Lula celebra: Nossas regiões disseram sim à integração para uma zona de livre comércio.
Em 20/04/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/Presidência da República
Em declaração à imprensa após visita oficial Hanôver, na Alemanha, Lula destacou o início de uma nova etapa na parceria entre Mercosul e União Europeia e reforçou a cooperação com a Alemanha em áreas estratégicas como energia limpa, inovação e clima.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (20), em Hanôver, na Alemanha, que a entrada em vigor do Acordo MERCOSUL-União Europeia, marcada para 1º de maio, inaugura uma nova etapa na integração econômica entre os dois blocos e fortalece a cooperação estratégica entre Brasil e Alemanha em áreas como transição energética, inovação tecnológica e ação climática.
Em declaração à imprensa após reunião com o chanceler federal Friedrich Merz, Lula defendeu o acordo como símbolo da aposta conjunta no multilateralismo, na prosperidade compartilhada e em regras comerciais equilibradas.
"A entrada em vigor do Acordo MERCOSUL-União Europeia, no dia 1º de maio, abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente.”
Durante a visita oficial à Alemanha, Lula participou da Feira Industrial de Hanôver, do Encontro Econômico Brasil-Alemanha e da Reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível, agendas que consolidaram avanços em áreas estratégicas para os dois países. Os entendimentos firmados reforçam a parceria bilateral em setores como defesa, inteligência artificial, economia circular, infraestrutura sustentável e energias renováveis, além de ampliar a coordenação entre Brasil e Alemanha em defesa do multilateralismo e da transição ecológica.
Acordo hitóriico
Lula destacou que a entrada em vigor do Acordo MERCOSUL-União Europeia é um passo decisivo para a diversificação das relações comerciais e o fortalecimento da resiliência econômica.
“Por isso o Acordo MERCOSUL-União Europeia é tão importante e foi tão defendido por Brasil e Alemanha. Depois de 25 anos de negociações, nossas regiões disseram sim à integração para criar uma zona de livre comércio que reúne 720 milhões de pessoas e que soma um PIB de 22 trilhões de dólares.”
Para o presidente, o acordo representa um modelo de integração que valoriza trabalhadores, direitos humanos e o meio ambiente.
“Estamos mostrando ao mundo que ainda é possível trilhar o caminho da prosperidade comum [...]. A entrada em vigor do Acordo MERCOSUL-União Europeia, no dia 1º de maio, abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente.”
Defensores da integração
O chanceler alemão, Friedrich Merz, também comemorou a entrada em vigor do Acordo MERCOSUL-União Europeia, classificando o Brasil e a Alemanha como defensores dessa integração. Ele afirmou ainda que a implementação do acordo deve impulsionar a colaboração em diversas áreas, como tecnologia e agricultura.
“Fizemos parte daquele grupo que realmente insistiu que o acordo entrasse em vigor, então foi um êxito em comum. Entrando em vigor, vai fomentar cada vez mais a nossa cooperação na área de tecnologia, inteligência artificial, economia circular, agricultura, energia.”
O chefe de governo alemão mencionou medidas para fortalecer os vínculos econômicos entre os países.
“Para isso, definimos um catálogo de medidas e decidimos retomar as negociações em prol de um acordo para evitar tributação dupla e fortalecemos as nossas relações econômicas. Nós fortalecemos também a resiliência e diversificação econômica e essa é uma prioridade máxima nesse momento tão imprevisível no mundo.”
Parcerias estratégicas
Friedrich Merz ressaltou que a parceria entre Brasil e Alemanha ganha ainda mais importância em um contexto internacional marcado por mudanças.
“Fico muito agradecido ao Brasil porque é um dos poucos países com quem temos esse status. Com o Brasil, temos uma parceria estratégica robusta e dinâmica e conseguimos fomentar essa parceria nesses últimos dias. Essa proximidade é mais importante do que nunca, nesses tempos de tanta mudança na ordem mundial.”
Regras justas
Em seu discurso, o presidente Lula defendeu regras justas diante de medidas adotadas pela União Europeia que, segundo ele, podem comprometer o equilíbrio do acordo.
“É legítimo impulsionar políticas de descarbonização, preservação ambiental e desenvolvimento industrial. Mas não é correto adotar métricas que não são fidedignas à realidade, nem compatíveis com regras multilaterais. Não há como vencer o unilateralismo com mais unilateralismo.”
Acordos firmados
Durante reunião com o chanceler federal alemão, foram firmados acordos que ampliam a cooperação bilateral em setores como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica e climática.
Em seu discurso, o presidente Lula ressaltou que a Alemanha é a terceira economia mundial e quarto parceiro comercial do Brasil, com intercâmbio de 21 bilhões de dólares, além de um estoque de investimentos diretos superior a 40 bilhões de dólares.
Lula também apontou que iniciativas brasileiras como o Novo PAC, a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica “oferecem novas oportunidades para investidores alemães interessados em levar inovações tecnológicas e soluções sustentáveis para o Brasil”.
Na área de defesa, citou a construção de fragatas da classe Tamandaré.
“Um consórcio binacional está construindo quatro fragatas da classe ‘Tamandaré’, para entrega até 2028. Aqui em Hanôver, avançamos nas tratativas para a aquisição de mais quatro unidades.”
Mmudança climática
Na agenda climática, Lula enfatizou o compromisso brasileiro com a preservação ambiental e o combate ao desmatamento, com meta de zerar a prática até 2030.
“Alemanha e Brasil têm consciência de que o amanhã depende do cuidado com o planeta. Se o Rio de Janeiro foi o berço da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Bonn [cidade Alemã] é a casa, ao abrigar seu Secretariado.”
O presidente brasileiro apresentou resultados já alcançados na área ambiental. Ele também ressaltou a cooperação com a Alemanha em diversas iniciativas em prol do meio ambiente.
“Até agora, já reduzimos em 50% os índices de desmatamento na Amazônia e em 32% no Cerrado. Restabelecemos e ampliamos nossa cooperação ambiental com a Alemanha no Fundo Amazônia, aliada desde sua constituição em 2008.”
O presidente Lula afirmou que a Alemanha foi um dos primeiros países a apoiar a proposta brasileira de elaborar um Mapa do Caminho pelo fim dos Combustíveis Fósseis. Em Belém, na COP30, o chanceler federal Merz foi um dos primeiros a anunciar investimento no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, no valor de um bilhão de euros.
“Hoje, confirmou a contribuição de quinhentos milhões de euros ao Fundo Clima.”
Energia
Ao tratar de energia, o presidente Lula defendeu a diversificação das matrizes e criticou resistências ao uso de biocombustíveis.
“Não existe segurança energética sem diversificação. A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais do que na hora de a Europa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis.”
O presidente destacou a experiência brasileira na produção de etanol e biodiesel.
“Com conhecimento acumulado ao longo de cinco décadas, o Brasil é capaz de produzir etanol e biodiesel sem comprometer a produção de alimentos e as áreas de floresta.”
Minerais críticos
Além disso, Lula enfatizou o potencial do país no fornecimento de minerais críticos, com a intenção de atrair cadeias produtivas e agregar valor à produção nacional.
“Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer opções excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities.”
Saúde
Na área da saúde, Lula indicou o interesse do Brasil em ampliar a cooperação com a Alemanha para implantação de hospitais inteligentes no Brasil.
“Queremos uma rede de serviços hospitalares inteligentes para minimizar o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde.”
Soberania digital
O presidente também tratou da agenda digital, ressaltando a convergência entre Brasil e Alemanha na promoção da soberania tecnológica, no desenvolvimento de infraestrutura digital e na regulação de plataformas e da inteligência artificial.
“Estamos comprometidos com o desenvolvimento de infraestruturas digitais, como data centers, computadores de alto desempenho e semicondutores. Não queremos mais permanecer dependentes de empresas estrangeiras que enriquecem às custas dos dados de nossos cidadãos, sem garantias de privacidade e segurança.”
Ele defendeu a proteção de dados, a segurança digital e o equilíbrio entre liberdade de expressão e direitos humanos.
“Há convergências entre as diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e a política alemã para o tema, como a ênfase no desenvolvimento de capacidades locais. Alemanha e Brasil são aliados na regulação das plataformas virtuais e do uso da inteligência artificial.”
Multilateralismo
Por fim, Lula alertou para o enfraquecimento do multilateralismo e para os riscos à paz global.
“Somente um multilateralismo revigorado pode restabelecer a diplomacia e a cooperação como ferramentas para a paz e o desenvolvimento sustentável.”
Ele também reforçou a defesa de reformas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Entre a ação dos que provocam guerras e a omissão dos que preferem se calar, a ONU está mais uma vez paralisada. O Brasil e a Alemanha defendem, há décadas, uma reforma que recupere a legitimidade do Conselho de Segurança.”
Alemanha
A Alemanha é a maior economia da Europa e terceira maior do mundo, com população superior a 84 milhões de pessoas e PIB nominal superior a US$ 5 trilhões em 2025. O país é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo comercial bilateral de US$ 20,9 bilhões no ano passado. A Alemanha constitui, ainda, a sétima origem de investimentos diretos no Brasil, com estoque acumulado de US$ 44 bilhões. (Por Secom/PR)
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