ECONOMIA CAPIXABA

Mulheres ocupam 84,1% das vagas nos setores de comércio e serviços

As mulheres sustentam lares, movimentam empresas e lideram salas de aula, todos os dias.

Em 05/03/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: Envato/Divulgação/(By Connect Fecomércio-ES)

Nos setores de comércio e serviços, há 756.166 profissionais contratadas. O setor de serviços é o único no estado em que elas são maioria, com 57,6% das contratações. Além disso, o Espírito Santo conta com mais de 205 mil empreendedoras.

Elas sustentam lares, movimentam empresas, lideram salas de aula, cuidam de pacientes, organizam escritórios e atendem consumidores todos os dias. No Espírito Santo, o retrato do mercado de trabalho feminino revela uma presença massiva no setor terciário: 84,1% das mulheres ocupadas estão concentradas nos setores de Serviços e Comércio. São 756.166 profissionais nesses dois segmentos, sendo 597.010 em serviços e 159.156 no comércio, segundo o relatório Retrato das Mulheres no Mercado de Trabalho no Espírito Santo, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES.

Apenas o setor de Serviços absorve 66,4% das mulheres ocupadas, enquanto o comércio responde por 17,7%,  explicou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.

“Os dados mostram que a empregabilidade feminina no Espírito Santo está fortemente ancorada no setor terciário, o que revela tanto a relevância econômica dessas atividades quanto um padrão estrutural de segmentação de gênero.”

Setor de serviços

O setor de serviços, inclusive, é o único no estado em que as mulheres são maioria entre os ocupados, representando 57,6% do total. Essa predominância é ainda mais evidente nas áreas que compõem a chamada Economia do Cuidado, que envolve tanto o cuidado direto com pessoas quanto o trabalho doméstico e a manutenção do lar. No Espírito Santo, a participação feminina chega a 78,1% na educação, 73,5% na saúde humana e serviços sociais e 95,8% nos serviços domésticos. Esses três grupos correspondem a 50,5% das mulheres ocupadas no setor de serviços e a 33,5% de todas as ocupações femininas no estado.

Em contraste, setores tradicionalmente masculinos concentram participação feminina significativamente menor: indústria (28,4%), agropecuária (23,6%) e construção civil (4,2%). Juntos, esses setores empregam apenas 15,9% das mulheres ocupadas no estado.

“Há uma sub-representação clara das mulheres em setores que, historicamente, oferecem maior estabilidade e melhores salários. Ampliar a presença feminina nesses segmentos é estratégico para reduzir desigualdades e promover maior diversidade produtiva.”

Escolaridade

Apesar das barreiras estruturais, as mulheres avançaram em escolaridade. Elas são maioria entre os profissionais das ciências e intelectuais, representando 58,8% do total. De acordo com o Censo 2022, das 491.101 pessoas com ensino superior completo no estado, 297.344 são mulheres, ou seja, 60,5% do total. Ainda assim, essa qualificação não se traduz proporcionalmente em poder de decisão: apenas 38% dos cargos de diretores e gerentes são ocupados por mulheres, e entre 2023 e 2024 houve redução de 15,3% no número feminino nessas funções.

No mercado formal, as mulheres ocupam 40,1% dos empregos com carteira assinada no estado, o equivalente a 365.415 postos. Mesmo com maior escolaridade – 81,7% das trabalhadoras formais têm ao menos o ensino médio completo em comparação a 71,3% dos homens –, elas recebem menos em todos os níveis de instrução. A remuneração média feminina é de R$ 2.773, 23,8% inferior à dos homens (R$ 3.637). Entre trabalhadores com ensino superior completo, a diferença salarial chega a 41,4%. 

Empreendedorismo

O estudo também destacou a relevância do empreendedorismo feminino. O Espírito Santo conta com 28.856 mulheres empregadoras e 176.977 que trabalham por conta própria, totalizando 205.833 empreendedoras, o que corresponde a 22,9% das mulheres ocupadas. Apesar disso, elas representam apenas 28,8% dos empregadores e 34,2% dos trabalhadores por conta própria no estado. 

A informalidade, por sua vez, é menor entre as mulheres (34,4%) do que entre os homens (41%), reflexo da maior presença feminina em setores mais formalizados, como educação, saúde e administração pública. Ainda assim, 30,3% das mulheres empregadas atuam sem carteira assinada, situação que compromete a segurança financeira e o acesso a direitos trabalhistas.

De modo geral, enquanto 73,3% dos homens com idade acima de 14 anos estão inseridos no mercado de trabalho, entre as mulheres esse percentual é de apenas 52,4%, abaixo da média nacional, que é de 53,1%. Para Spalenza, as mulheres ainda assumem a maior parte do trabalho não remunerado, que inclui cuidar de filhos e idosos, bem como a execução das tarefas domésticas, o que limita o tempo disponível para atividades remuneradas.

O levantamento evidencia esse peso da dupla jornada. As mulheres capixabas dedicam, em média, 21,5 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com pessoas, o que representa 9,6 horas a mais que os homens. Considerando uma jornada padrão de oito horas diárias, isso equivale a 1,2 dia adicional de trabalho por semana apenas em atividades não remuneradas.

“Esse tempo impacta diretamente a participação feminina no mercado, a progressão na carreira e até a saúde física e mental das trabalhadoras.”

Mesmo em um cenário de quase pleno emprego, já que a taxa de desocupação no estado recuou para 3,1% no segundo trimestre de 2025, a menor da série histórica, as mulheres ainda enfrentam taxa de desemprego superior à dos homens: 4,2% contra 2,3%. Elas representam 58,5% das pessoas desocupadas no Espírito Santo, ou seja, 38 mil mulheres.

A análise foi elaborada com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE), e no Painel de Informações do Trabalho Doméstico, também do Ministério do Trabalho e Emprego.

Municípios

A baixa participação das mulheres no mercado de trabalho formal, bem como a desigualdade salarial, também podem ser observadas quando se analisa a distribuição dos empregos formais por gênero nos municípios capixabas. Entre os 78 municípios capixabas, apenas em Itapemirim (53,6%) e em Alegre (50,2%) as mulheres ocupam a maioria dos postos de trabalho.

Em relação à remuneração, em apenas dois dos 78 municípios capixabas as mulheres possuem salários superiores aos dos homens: Itapemirim (diferença média de 13,3%) e Santa Leopoldina (2,2%). Em todos os demais municípios, a remuneração feminina é inferior à masculina, com a diferença média estadual sendo de 23,8%. (Por Kelly Kalle/C2 Press)

Pesquisa:
A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada no LINK

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