ECONOMIA CAPIXABA

Sincades prevê R$ 56,8 bilhões na arrecadação de ICMS até 2032

O setor atacadista e distribuidor é responsável pela maior arrecadação do ICMS no Espírito Santo.

Em 19/05/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: Cloves Louzada/Divulgação/Sincades

A pesquisa apresentada pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades)​ nesta terça-feira (19) projeta crescimento do recolhimento de imposto e alerta para os impactos da reforma tributária no Espírito Santo.

Responsável pela maior arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Espírito Santo e por milhares de empregos em todo o estado, o setor atacadista e distribuidor prevê uma arrecadação de R$ 56,8 bilhões de ICMS nos próximos sete anos. A informação está detalhada em um estudo inédito apresentado pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades) durante o encontro “Atacado & Distribuição – Transformando o agora e projetando o futuro do ES”, realizado pela entidade nesta terça-feira (19), no Palácio Anchieta, em parceria com o Governo do Estado.

A pesquisa “Atacado e Distribuição no Espírito Santo, em dados”, desenvolvida pela Futura | Apex Partners, trouxe informações sobre arrecadação, geração de empregos, comércio interestadual, participação econômica e a presença no desenvolvimento capixaba. O levantamento projeta ainda arrecadação de R$ 9,3 bilhões no último ano do ciclo, com previsão que já considera a transição gradual do ICMS e do ISS para o IBS a partir de 2029.

Crescimento

O presidente do Sincades, Idalberto Moro, detalhou em sua fala de abertura o crescimento de 151% no recolhimento, de 2022 a 2025, quando o estado passou de R$ 2,61 bilhões para R$ 6,64 bilhões na arrecadação gerada exclusivamente pelo atacado distribuidor.

“A participação do setor na arrecadação total do estado praticamente dobrou: saímos de 15% para 29% do ICMS capixaba. Ou seja, quase um terço de tudo o que o estado arrecada passa pelo setor atacadista e distribuidor. No ano passado, R$ 1,66 bilhão desse imposto foi transferido diretamente para os municípios capixabas. Isso representa escolas sendo construídas, postos de saúde sendo equipados, infraestrutura rodoviária melhorando e serviços públicos funcionando.”

Entre 2017 e 2024, o fluxo comercial do Espírito Santo com os demais estados, considerando a soma de entradas e saídas de mercadorias, saltou de R$ 210,1 bilhões para R$ 908,5 bilhões, segundo o Confaz. O crescimento foi de 332% no período. O volume equivale a 4,3 vezes o PIB estadual e representa cerca de 8% de todo o comércio interestadual brasileiro, embora o Espírito Santo responda por apenas 2% do PIB nacional.

Vendas do atacado

Atualmente, 85% das vendas do atacado são realizadas para fora do território capixaba, sendo o sudeste o destino de 64% do total dessa movimentação. O atacado distribuidor movimentou cerca de R$ 198 bilhões em 2024, sendo R$ 172,9 bilhões destinados a outros estados, indicadores que destacam a posição estratégica na cadeia nacional de distribuição.


O encontro “Atacado & Distribuição – Transformando o agora e projetando o futuro do ES”, aconteceu nesta terça (19), em Vitória. Foto: Cloves Louzada/Divulgação/Sincades

Com a transferência gradual da arrecadação do ICMS da origem para o destino das mercadorias, uma das principais mudanças da reforma tributária, estados com forte atuação na distribuição interestadual, como o Espírito Santo, tendem a perder parte da arrecadação.

“Se a gente for pegar a projeção para 2033, a perda é da ordem de R$ 8 bilhões. Isso atingirá diretamente o orçamento do estado e dos municípios, que recebem 25% na arrecadação”, alertou Idalberto.

Atração de investimentos

Neste contexto, o governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, destacou que o estado vive um momento importante de atração de investimentos e que o governo já trabalha em respostas concretas.

“Temos trabalhado para garantir um ambiente saudável, de confiança e segurança para quem quer investir. Nunca tivemos um volume tão significativo de investimentos na atividade portuária, em rodovias e na conexão com a região central do país. Isso tem acelerado a atração de empresas e empregos de qualidade, fortalecendo a economia capixaba e aumentando o poder de consumo das famílias.”

Ferraço afirmou que, entre as alternativas para enfrentar os impactos da reforma tributária, está a criação de grupos técnicos com a participação do setor privado e o uso do Fundo Soberano como ferramenta de estímulo econômico.

“Temos caminhos, alternativas e algum tempo, mas não temos todo o tempo.”

O estudo apresentado também apontou que o Espírito Santo lidera, no Brasil, na participação do setor atacadista na geração de empregos e está entre os estados com maior proporção de empresas do segmento.

Painel

A programação do dia contou, ainda, com o painel “Dados, Reforma Tributária e o futuro do ES”, reunindo o secretário de Estado da Fazenda, Benício Costa, e o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, com mediação do advogado tributário Alexandre Fiorot. O debate abordou os desafios operacionais da reforma tributária, os efeitos para o ambiente de negócios e as perspectivas para a economia do Espírito Santo.

O evento teve a participação do deputado estadual Marcelo Santos, além de representantes do setor produtivo, lideranças empresariais e autoridades públicas ligadas ao desenvolvimento econômico do Espírito Santo. (Por Bárbara Becalli/AsImp)

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