SAÚDE
Recusa ao exame de toque não é desculpa para fugir do urologista
Novembro acende o alerta para a saúde do homem por meio da "campanha mundial Novembro Azul".
Em 05/11/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia
Foto: Divulgação/Magnific/
O foco principal da "campanha mundial Novembro Azul" é a conscientização sobre o câncer de próstata, o segundo tipo de tumor mais comum entre os homens no Brasil. A vergonha associada ao exame de toque retal ainda afasta milhares de pacientes dos consultórios, resultando em diagnósticos tardios.
O mês de novembro acende o alerta para a saúde integral do homem por meio da campanha mundial Novembro Azul. O foco principal é a conscientização sobre o câncer de próstata, o segundo tipo de tumor mais comum entre os homens no Brasil, mas a mobilização também enfrenta um obstáculo cultural significativo: a resistência masculina aos exames preventivos provocada pelo preconceito e pela vergonha.
A vergonha associada ao exame de toque retal ainda afasta milhares de pacientes dos consultórios, resultando em diagnósticos tardios.
O urologista da Rede Meridional, Claudio Borges alerta que o constrangimento não pode custar a vida de ninguém, destacando que a avaliação médica é um procedimento rápido, indolor e com função vital de rastreamento. O especialista enfatiza diretamente a simplicidade do cuidado preventivo.
“O principal exame é a dosagem sanguínea do PSA. O exame de toque retal é complementar e sua recusa não deve afastar o homem dos exames de detecção precoce. A descoberta do câncer numa fase inicial proporciona mais de 90% de chances de cura”, esclarece Borges.
A idade ideal para dar início à rotina preventiva varia de acordo com o histórico individual de cada homem. A recomendação padrão estabelece que homens sem sintomas ou histórico familiar procurem o urologista a partir dos 50 anos. Contudo, para homens negros ou aqueles que possuem parentes de primeiro grau (como pai ou irmãos) diagnosticados com a doença, o acompanhamento deve começar mais cedo, aos 45 anos, já que esses grupos apresentam predisposição genética mais elevada.

O urologista Claudio Borges alerta que o constrangimento não pode custar a vida de ningiém. Foto: Divulgação/Rede Maridional
O desenvolvimento do tumor está atrelado a múltiplos fatores. Além da hereditariedade e da etnia, a idade avançada representa o fator de risco primário, uma vez que a grande maioria dos casos se manifesta após os 55 anos. Hábitos cotidianos também desempenham papel preponderante: o sedentarismo, a obesidade e dietas ricas em gordura animal e ultraprocessados aumentam a suscetibilidade ao desenvolvimento de células malignas.
Em suas fases iniciais, o câncer de próstata é essencialmente silencioso e não provoca sintomas visíveis. Quando as queixas começam a surgir, a enfermidade costuma já estar em estágio mais avançado, apresentando sinais como dificuldade para urinar, jato urinário fraco ou interrompido, aumento da frequência urinária noturna, presença de sangue na urina ou no sêmen e, em situações mais graves, dores ósseas.
Ainda segundo Claudio Borges, aguardar manifestações clínicas para agendar uma consulta é um equívoco perigoso, uma vez que o paciente com sintomas já perdeu a oportunidade de um diagnóstico precoce. O médico reforça a estratégia diagnóstica combinada:
“Nenhum exame substitui o outro. A avaliação clínica, dosagem de PSA no sangue associado a ressonância magnética da próstata aumentam as chances de diagnóstico precoce.”
Quando detectado a tempo, o leque terapêutico é amplo e adaptado ao estágio e à agressividade do tumor. As alternativas englobam a vigilância ativa para tumores de crescimento muito lento, a cirurgia radical da próstata (realizada de forma convencional, laparoscópica ou robótica), a radioterapia e o bloqueio hormonal. A superação do tabu e a busca periódica pelo urologista continuam sendo os caminhos mais eficazes para garantir longevidade com qualidade de vida.
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